Google Photos e o fim da epopéia do backup

Desde de que era criança gosto de organizar coisas. Me lembro de ter um caderno não na época dos 8-bit em que registrava todos os jogos de vídeo game que jogava.

Quando comprei o meu primeiro computador descobri que era possível guardar e organizar quase tudo da minha vida.

Depois de um desastre em 2005 em que perdi todos os meus dados, criei mecanismos de backup para garantir que as memórias da minha vida fossem preservadas.

No começo era difícil, muita coisa pra organizar pouco espaço em disco e baixa velocidade de transferência. Aos poucos as coisas foram facilitando. CD ROM, DVD, HDs externos e finalmente a núvem com Dropbox e depois o Google Drive. Quando percebi já estava quase tudo na rede e o meu trabalho com backup era quase nulo. A não ser por fotos, músicas e filmes.

Para resolver o problema das músicas foi relativamente fácil. Nunca fui um cara muito musical mas tinha milhares de músicas bem organizadas em pastas com a inicial de cada artista, álbuns completos e em boa qualidade. Isso estava num HD de 1TB até que o Google lançou o Music com capacidade de upload de 20 mil músicas de graça. Até cheguei a subir minha biblioteca para lá, mas depois de alguns meses sem usar e após experimentar streaming de música por 1 mês decidi que queria abrir mão de ter todas essas músicas (muitas delas piratas) e apaguei minha biblioteca.

Um problema a menos para se preocupar, mas e os filmes? Também tinha uma biblioteca bem organizada com eles, mas por que mantê-los? Dificilmente vejo um filme duas vezes e com a velocidade da Internet de hoje posso fazer streaming deles através de diversos serviços Netflix like diretamente na minha TV. Então foi fácil abrir mão deles também.

Só faltam mesmo as fotos. Estas não são descartáveis, tenho aproximadamente 30.000 delas e nenhum serviço de núvem gratuito suportaria 150GB em arquivos. Além disso, mesmo que suportasse, não conseguiria acessá-las de forma fácil e não conseguiria ver em uma timeline. Para estas então, continuava com backup no bom e velho HD e tinha uma cópia de baixa resolução no Picasa Web posteriormente conhecido como Google+ Fotos para um caso extremo de perder as minhas fotos em alta.

Foi então que neste último dia 28/05 o Google anunciou o novo Google Photos, com espaço ilimitado para fotos de até 16 Megapixel. De repente vi o último elo do meu arquivo pessoal sendo salvo por este anúncio.

E já estava bom demais, mas tinha ainda mais. Eles disseram que magicamente classificariam minhas fotos, e era verdade. Se eu buscasse por Nova Iorque ou Bolo de aniversário o algoritmo mágico processador de linguagem natural seria inteligente o suficiente para classificar as minhas fotos e filtrar conforme o solicitado. Incrível!

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Para completar eventualmente ele montaria de forma automática álbuns de viagens e eventos, colagens, montagens de vídeos e outras coisas. Era a cereja do bolo!

Após subir uns 30% das minhas fotos para lá pude comprovar os resultados. Claro que ele ainda erra muito, se eu digitar por exemplo vestido vermelho ele ainda não sabe diferenciar muito bem um vestido de uma cortina mas eu acredito que vai melhorar. Acredito que deveria haver botão para informar erros para tornar a detecção mais precisa.

Imagino que os fanáticos por privacidade estão neste momento pensando: “Este cara é louco, está enviando todas as suas informações para o Google!”. Bom esta é uma verdade, mas de fato eu já tenho enviado quase tudo que penso a muito tempo, graças ao Google Search. Então mesmo que esteja sendo ingênuo, acho que enviar mais um pouquinho não vai fazer mal!

Terminou assim a minha epopéia por um backup eficiente e hoje tenho salvo para posteridade (assim espero) desde minhas fotos até a minha velha lista com os jogos de vídeo game.